
Cada mulher carrega em si a semente de culturas regenerativas.
O propósito da Casa Ponte Mulheres de Fogo é ser um espaço no qual as mulheres possam treinar habilidades, empoderar uma as outras para sermos a ponte que nos leva das margens da cultura moderna para a próxima cultura, o Arquiarcado.
As Mulheres

Andrea Lavourinha

Daniela Abreu

Jaqueline Sampaio

Jéssica Rutenberg

Camile Hentz

Fabiana Wan

Jaqueline May Ives

Fernanda Nascimento

Yara Shekinah
Amparadora de Espaço

Danielle Barros
Como surgiu essa Casa Ponte?
A Casa Pontes Mulheres de Fogo é um dos frutos do Movimento Global Mulheres da Terra.
Era um círculo de Mulheres, tapetes no chão, almofadas, uma lareira, parecia um cenário das Mil e Uma Noites. Eu estava familiarizada com o que estava acontecendo, uma sensação de que já fiz isso muitas vezes, em muitas vidas. Senti saudade de estar entre Mulheres, num círculo de bruxas, guerreiras, parteiras, curandeiras.
Enquanto partilhávamos sobre nossos sentimentos, eu me perguntava: O que faz com que as mulheres, mesmo com tanto medo de serem traídas umas pelas outras, mesmo com tantas histórias ruins que colecionamos sobre mulheres, mesmo com tanta desconfiança, continue querendo se reunir em círculos?
Me lembrei da conversa que eu tive alguns anos atrás com um mestre e contador de histórias francês. Eu estava sentindo medo de que o capitalismo pudesse soterrar as milenares histórias tradicionais, manipulando-as para vender produtos, estilo de vida, visão de mundo, que essas histórias fossem tão modificadas ao ponto de desaparecerem. E perguntei se ele achava que isso poderia acontecer.
Ele me respondeu que algumas histórias guardam dentro delas um segredo, que é inviolável, mesmo com todas as tentativas de exterminá-las, mesmo com a caça às bruxas nos séculos passados, mesmo a igreja modificando-as para evangelizar as pessoas, elas sobreviveram, e justamente sobreviveram porque souberam se miscigenar, se universalizar, para manter intacto o tesouro que elas carregam dentro delas. E quando uma pessoa ouve essa história, ela entra em contato com essa parte inviolável, invisível e arrebatadora que uma boa história de sabedoria sabe guardar dentro de si.
Nós Mulheres, também carregamos dentro de nós um tesouro, uma semente única e preciosa, com informações, desejos, força, capaz de criar uma vida completamente diferente do que estamos vivendo agora, uma cultura de jardim fértil para que nossas sementes possam germinar e que sabemos que é possível existir agora.
Mas o que nós aprendemos foi proteger esse segredo. Talvez você tenha decidido em outra vida nunca mais trazer o seu valor ao mundo, porque quando você o trouxe foi doloroso demais, talvez você tenha sido traída e morta e jurou que nunca mais ia tentar outra vez.
Ainda nessa vida, você nasceu na Cultura Moderna, e a maioria das suas interações com outras mulheres, incluindo sua mãe e irmãs, foram interações patriarcais de competição e comparação. Você tem evidencias de que o mundo, as pessoas, as mulheres não são confiáveis.
Você precisou se adaptar, se dividindo, se forjando para caber num mundo hostil, para proteger aquilo que é mais precioso para você, a sua semente.
Mesmo com toda a proteção que você criou, dentro de você há uma voz que é impossível silenciá-la. Algumas de nós ouvimos essa voz quando éramos crianças e nunca mais nos esquecemos, outras tentaram abafar essa voz e seguir uma vida “adequada”, mas chegou determinado momento que era impossível não ouvi-la. Para mim essa voz é como um chamado: é preciso mudar, o que mais é possível?
Durante a Tour Mulheres da Terra, que aconteceu nos meses de março e abril de 20025, eu descobri que as mulheres brasileiras são selvagens e irrazoáveis, capazes de sentir e atender a um chamado sem duvidar.
Em vários dos encontros que tivemos, as mulheres diziam: Eu não sei por que vim, eu só sei que era exatamente aqui que eu devia estar. Algumas viajaram 10, 12 horas de ônibus para participarem do encontro apenas seguindo esse chamado.
Eu acho que as Mulheres continuam se juntando em círculos porque elas querem deixar as suas sementes florescerem, queremos dar voz a urgência que carregamos dentro de nós.
Nunca Gaia chamou tanto pelas Mulheres como chama agora, porque nosso corpo é Gaia. Estamos caminhando, enquanto humanidade, em direção ao precipício, e as mulheres são capazes de sentir isso.
Quando a morte e o fim são tão eminentes, a vida passa ser mais real, não há mais tempo a perder com besteira. É hora de parar de fingir, de jogar pequeno, de esconder os segredos, o que Gaia precisa é de Mulheres selvagens.
Eu estava sentada num círculo de Mulheres, e enquanto me questionava por que insistimos em nos reunir eu já amava aquelas mulheres, mesmo sem dizer uma palavra nós sabíamos porquê estávamos ali.
São exatamente com essas mulheres que eu quero estar, mulheres que querem deixar o coração selvagem falar, mulheres que querem torcer a tolha e gritar de raiva, simplesmente porque se recusam a ficar caladas, porque querem algo novo, porque se recusam a serem abusadas de novo, porque a tanta coisa a dizer aos quatro cantos do mundo. Eu quero estar com Mulheres de Fogo.
Eu amo que cada vez mais as Mulheres estão se juntando. Eu amo que que exista o Movimento Mulheres da Terra, que tem semeado tantas sementes no mundo como a Casa Ponte Mulheres de Fogo. Eu amo que existam mulheres no mundo que se importe tanto com Gaia que são capazes de criar um Movimento, eu amo que tenham mulheres viajando o mundo e falando nos mais diferentes idiomas a língua de Gaia. Eu amo estar com mulheres reais, e posso sentir Gaia celebrando com elas!
Danielle Barros

Foto do última dia do Laboratório Mulheres da Terra amparado pela treinadora Anne-Cholé Destremau
Uma forma de poema, um hino ao Arquétipo Feminino
por Anne-Chloé Destremau
Feminino é um Caminho que não pode ser controlado, previsível, agradável e organizado, nem compreensível em sua totalidade. No Laboratório Mulheres da Terra, uma mulher perguntou: "O que é Feminino na Arquiarquia?". Eu disse que não tinha uma resposta para isso, mas tinha uma impressão sobre ela. E agora, encontro as palavras para essa impressão. O Feminino é um fogo que queima o irrelevante e o obsoleto por dentro e por fora, enquanto, ao mesmo tempo, é o fluxo da água em seu caminho natural pelo leito do rio, polindo velhas rochas que estão lá há algum tempo e precisam de pouco ou muito empurrão para se encaixarem; o Feminino é uma conexão com essa força mais profunda e ampla que é o Desconhecido, o Amor, o Sexo, esse encantamento que eu e você podemos saborear, mas nunca possuir. O sabor é doce e amargo. "Tudo" é tão doce. Com seu potencial de Mais. Mais Vivência, Amor, Ser, Possibilidade até que eu esteja completo. Nossa rigidez tem gosto amargo. Saboreamos ambos, imaginando qual é o verdadeiro, antes de cairmos novamente no fundo da Realidade, onde o fogo da Criação e da Ocupação, a ferocidade que permanece e grita silenciosamente "Eu estou aqui. Eu quero isso", se acende novamente para nos levar além do limite do que pensávamos estar feito ou decidido. As ondas quebrando em nós até que nos libertamos para nos tornarmos as próprias ondas e começarmos a dançar com as marés do Universo, ficando à mercê de sua extraordinária generosidade. Quando estou no campo Mulheres da Terra, vejo isso.


Quando?
A primeira edição da Casa Ponte Mulheres de Fogo tem a duração de 9 dias. De 07 a 15 de Junho de 2025. A partir dessa experiência a proposta é criar uma segunda edição da Casa Ponte Mulheres de Fogo, ainda em 2025, com uma duração mais longa, e aberta a outras mulheres.
Quanto?
O valor estimado para a primeira edição da Casa Ponte Mulheres de Fogo é 1000 reais (valor da comida + aluguel).
O valor total do aluguel + comida é dividido igualmente entre as moradoras
Quem?
O pré-requisito para participar da Casa Ponte Mulheres de Fogo é:
- Ter participado de pelo menos de 1 Expand The Box ( ou ter feito o Clube da Raiva+ Tour Mulheres da Terra)
- Gerar pelo menos mil reais por mês oferecendo seu valor não material
- Você ampara espaços ou está no caminho para entregar espaços de transformação
- Estar no caminho de ser uma possibilitadora